História do Município
Situado às margens da antiga Estrada Real, o atual município de Rio Acima surgiu como um povoado em torno de uma capela erguida nos barrancos do Rio das Velhas, por volta do ano de 1736.
Em sua divisa com Itabirito encontra-se um dos mais relevantes trechos do caminho do ouro na época do império. Trata-se da estrada que fazia a ligação entre Santa Bárbara e Ouro Preto através da única passagem na serra do Espinhaço. Esta passagem é um local conhecido como "Bocaina" e está localizado na Serra do Gandarela, que faz parte da Serra do Espinhaço. Sendo a única passagem para a Serra do Ouro Fino (Santa Bárbara), os escravos fugitivos, na época do império, armavam ciladas para as tropas reais em busca de ouro, armas, animais de carga e suprimentos. O então governador da província, Visconde de Barbacena, seguindo ordens de Portugal, construiu uma base para garantir a passagem onde hoje é conhecido como a "Fazenda da Casa de Pedra". É com o nome de Santo Antônio que o pequeno arraial constava nos primeiros mapas, porque a prática, constante na ocasião, era de se colocar o nome do santo do dia na terra ou acidente geográfico descoberto. Posteriormente passou a ser denominado Santo Antônio do Rio Acima, porque os bandeirantes se norteavam pelos rios, tendo como referência algum ponto determinado à procura do ouro que à época era explorado pelo sistema de aluviões.
Foi inicialmente habitado por bandeirantes, mineradores e comerciantes de tropas. Até meados do século XVIII, Santo Antônio do Rio Acima era um expressivo centro de mineração. Porém, com a descoberta e exploração bem-sucedida de outras lavras mais lucrativas longe do povoado, foram, aos poucos, se reduzindo suas atividades mineradoras. Assim, a partir da metade do século XVIII, sua expansão tornou-se muito lenta.
Em 1852, Santo Antônio do Rio Acima recebeu alvará da paróquia coletiva integrante do município de Sabará e, em 1891, passou a integrar o município de Nova Lima. Quando ainda arraial, recebeu, em 9 de fevereiro de 1831, a visita do casal Imperial Dom Pedro I e Dona Leopoldina, que foram recepcionados pelo reverendo Vigário, os clérigos da freguesia e as pessoas mais distintas do povoado, convidadas para irem à Igreja Matriz e, depois, à casa onde o casal imperial iria passar o dia. Tudo isso foi acompanhado pela comunidade local. Cinqüenta anos mais tarde, por ali passou também D. Pedro II.
Em 1890, a localidade passou a ser cortada pela Estrada de Ferro Central do Brasil, o que lhe trouxe como conseqüência um relativo progresso, ao nela possibilitar a instalação de algumas atividades industriais.
Em 7 de setembro de 1923, seu nome foi reduzido para Rio Acima. A emancipação veio em 27 de dezembro de 1948.
A partir de 1921/23, o município sofreu um impulso de desenvolvimento econômico com a construção de uma rodovia ligando Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, cujo traçado passava pelo interior de seu núcleo urbano, expandindo a malha urbana. Rio Acima passou a contar com quatro indústrias, sendo duas siderúrgicas e duas cerâmicas vermelhas. Dessas quatro indústrias resta hoje apenas uma cerâmica. O fechamento de indústrias de maior porte e o redesenho do traçado da estrada Belo Horizonte-Rio de Janeiro levaram a economia municipal a experimentar um período de estagnação, tornando-se Rio Acima uma cidade-dormitório com vocação para o turismo.
Devido à sua origem ligada à exploração do ouro, o município de Rio Acima se integrou à recém-criada Associação do Circuito do Ouro e sua localização central nesse circuito permite acesso a vários outros municípios por estradas não pavimentadas e trilhas de grandes belezas naturais. O município é cortado pela Estrada Real na parte do percurso que vai de Diamantina até a bifurcação dos caminhos para a Cidade do Rio de Janeiro/RJ e Parati/RJ. A atual Igreja de Santo Antônio foi construída em 1957, em estilo moderno, sobre as ruínas da antiga igreja do município, datada de janeiro de 1752.